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A BLOGUEIRA E NATURALISTA LUISA LUPFAL NA ILHA DE ITAPARICA EM XIQUE-XIQUE .
















Xique –Xique é o nome deste cactos espinhento, próprio da caatinga na região . Com Carlos Marçal “Carlinhos”, responsável local pela APA da Lagoa de Itaparica, que tem uma equipe de um homem só, vivi momentos inéditos. Primeiro passamos pelo que acredito é o maior carnaubal nativo do Brasil. Olhando do alto é um mar verde de palmeiras de carnaúba. No meio dela a imensa lagoa azul prateada com uma cadeia de dunas fixas ao fundo para dar o arremate final dos caprichos da natureza. Algumas pessoas já chamaram minha atenção por excluir as pessoas das fotos. Eu sou naturalista, acho todas as árvores, pedras e rios bonitos, já não posso dizer o mesmo dos seres humanos. A lagoa é a maior e mais importante das margens do Rio São Francisco. Funciona como berçário natural, reprodução de organismos aquáticos. É fundamental para reposição do estoque pesqueiro do rio. Por isto a pesca é terminantemente proibida por todo o ano, e não somente na época do “Defeso”. Conscientizar e educar o povo são tarefas que pela minha experiência nos barrancos é coisa para um futuro muito longínquo.

















A primeira coisa que encontramos foi um acampamento de pescadores, todos de fora, somente um era local. Estavam “despencando”, tirando das redes milhares de peixinhos com menos de 30 cm. Peixes que quando adultos chegam a 80 kg como é o caso do surubim, ou 20 kg o dourado, tucunaré a 15 kg. Um filhote com menos de um kilo nem gostoso é, e se desmancha na hora de fritar. Os pescadores se defenderam alegando desconhecer a lei..., que tem cinco filhos para criar..., esta conversa fiada de sempre. Foram alertados, receberam uma aula de conscientização, e uma ameaça que no dia seguinte a polícia iria verificar se ainda se encontravam no local. Não podíamos fazer muito mais que isto, afinal era só o Carlinhos e eu, no meio de mais de 20 homens com uma faca peixeira na mão. Provavelmente já armaram seu acampamento 200m mais acima ou abaixo. Alem da pesca ilegal ainda tinham uns tatus vivos amarrados que se debatiam desesperadamente. Estes nos levamos para soltar num lugar que achamos razoavelmente seguro. Fazer o que? O ideal era soltá-los numa propriedade particular que preserva a natureza, mas onde?






Depois da boa ação fomos a um povoado numa parte lindíssima do lago. O lugar era tão bonito que não dava para ficar com pena das pessoas que moravam ali, ainda em suas casas de barro e palha. Não me pareceram infelizes, foram beneficiados com energia solar e água tratada e escolinha. Me pareceu que o povoado e o lago vivem em perfeita harmonia com o universo no meio do carnaubal. Depois do lago fomos ao Vale do Encantado. Ou simplesmente “Encantado”.Lá não é preciso nem uma explicação para o nome.
O riacho do Encantado que derrama suas águas na lagoa e logo no Rio São Francisco é deslumbrante.Tem uma cachoeira que agora por causa da seca era só um chafariz, mas dá pra imaginar perfeitamente como será daqui alguns meses. A área é de mineração e já foi bastante devastada, mas depois de incluída na APA e com todas as atividades de exploração proibidas está se recuperando. É um lugar que poderia ser muito bem explorado turisticamente, dentro de todas as normas de preservação.Os principais problemas da APA da Lagoa de Itaparica são a retirada sem licença de pedras, areia, cristais, ouro e diamantes.A pesca predatória,caça,desmatamento e queimadas.E como ela abrange uma área de 78.450 ha,é difícil fiscalizá-la.

Publicada por Luisa Lupfal no são francisco .http://viagemnosaofrancisco.blogspot.com

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