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OS BASTIDORES DO JULGAMENTO DOS NARDONI .

Meio-dia. Sol a pino, temperatura batendo na casa dos 30º.C. Há 72 pessoas numa fila para 22 vagas na última sessão do julgamento do casal Nardoni. É gente que está ali sentada na calçada desde a madrugada. Estão cansadas, estressadas, ansiosas e curiosas para participar do caso mais polêmico da Justiça Criminal dos últimos anos no Brasil. Do nada, um homem surge ao lado e começa a gritar. "Vocês têm sede de Justiça, mas prender os Nardoni não vai saciar essa sede." Ele grita várias vezes. As pessoas simplesmente não conseguem acreditar no que estão vendo e ouvindo. Não demora para cair a ficha e alguém gritar de volta. "Sai daqui, seu louco!" O homem não se abala. Veste um terno escuro que é pelo menos dois números maior do que deveria. Tem uma biblía na mão direita. Sorri. E continua gritando: "Condenar o Nardoni não vai adiantar nada! Vocês têm é de seguir Jesus!" Até o mais fiel seguidor do Divino perde a paciência depois de tanto tempo naquela fila. Vários fanáticos surgiram à frente do Fórum de Santana nestes cinco dias de julgamento. Mas nenhum tão maluco. Uma senhora de rosto sofrido, com um imenso crucifixo no pescoço, ultrajada com a presença do pastor evangélico, berra um palavrão - não foi para o céu que ela mandou o homem passear. Foi definitivamente a mais dantesca das muitas cenas non-sense que se viam ali fora, enquanto o julgamento rolava lá dentro.

Câmeras e microfones começaram a ser apontados para o homem. Uma, duas, cinco, dez. Virou tumulto. E onde há jornalista, há gente querendo aparecer. Um garoto magricelo, de bigode ralo, bermuda e chinelo, encarnou o Chuck Norris e foi pra cima do pastor. A polícia precisou intervir. Os outros "freaks" ficaram com inveja do pastor e também passaram a disputar um lugar ao sol - ou melhor, à frente das câmeras. Tem o Yellow Man, um homem que se veste de amarelo dos pés às cabeças e carrega uma faixa com os dizeres "Yellow Man, onde você estar (sic), você viuuuuu (siiiiiic), Yellow Man." Tem também o Bin Laden, um senhor com uma barba gigantesca, um boné sem aba e um uniforme de operário num tom berrante de laranja. O Bin Laden do Fórum não quer soltar bomba nos infiéis e nem tem uma mensagem como o pastor - ele é só um curioso como tantos outros, mas com um estilo mais bizarro. E tem ainda aquela figura que você já cansou de ver no noticiário televisivo - um homem que se amarra a uma cruz, como um Jesus Cristo dos tempos modernos, que está ali para, você sabe, pedir Justiça. Nesta sexta ele apareceu com algemas, presente de um amigo. Deu entrevista para a Rede TV! e ficou feliz da vida.

Esse desfile de aberrações à frente do Fórum incomoda demais uma legião de pessoas que não gostam de serem denominadas como "curiosas." É gente que se sensibilizou de verdade com o crime. "Aos críticos, aos vampiros: Não somos desocupados. Só queremos Justiça", diz um cartaz na mão de uma senhora com cara de poucos amigos para os jornalistas.






Há também os que estão ali por terem passado por um grande trauma e, de alguma forma, se identificam com o drama de Ana Carolina Oliveira, a mãe de Isabella. "Eu apanhei muito do meu pai quando criança. Fugi de casa aos 17 anos. Sei o que é violência doméstica", diz Maria Lucia Queiroz, uma senhora que montou uma espécie de altar na porta do Fórum, com uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma bíblia e três bonecas, incluindo uma Barbie. "É para representar o que a Isabella deveria estar fazendo agora - brincando inocentemente, depois de voltar da escola."


Dona Maria Lucia chora enquanto conta sua história. "Apanhei muito do meu pai. Hoje ele é meu melhor amigo." Ela tem três filhos e um netinho já. "São uns amores." É comerciante - não tem patrão, é dona do próprio negócio, uma lanchonete. Mas há os que faltaram ao emprego para ver de perto a movimentação de jornalistas à frente do Fórum. "Olha lá o moço da Globo", diz uma mulher para o filho, apontando para César Tralli. Um vídeo já famoso no Youtube mostra um maluco pulando atrás de Tralli durante um link ao vivo no Jornal Nacional. A segurança foi reforçada para que casos como esse não se repetissem. Há agora um cordão e uma grade isolando a área dos jornalistas de TV que entram com boletins ao vivo na programação. Chance zero de aquela bizarrice se repetir.


A presença da imprensa, obviamente, chama a atenção de quem passa por ali. Apesar de se chamar Fórum de Santana, o prédio não fica em Santana, mas no Bairro do Limão, uma área com muitas indústrias. A sede do jornal O Estado de S. Paulo fica a 500 metros dali, mas aquela área só é notícia no Carnaval, por reunir duas das mais tradicionais escolas de samba de São Paulo, a Mocidade Alegre e a Unidos do Peruche.



Os poucos estabelecimentos comerciais, claro, estão aproveitando para faturar. O estacionamento ao lado do Fórum, que costumava cobrar R$ 4 pelo período de 12 horas, agora cobra R$ 5 só pela primeira meia-hora - o mesmo preço observado em regiões como as Avenidas Paulista e Faria Lima, por exemplo. O restaurante Pau Brasil viu dobrar o número de almoços servidos (de 250 para 500 por dia) e triplicar os lanches (de 60 para 180). Até um grande jornal da capital paulista, o Diário de S. Paulo, viu na concentração de pessoas à frente do Fórum uma chance de faturar - há 10 homens uniformizados vendendo a edição desta sexta-feira, que tem como manchete "A hora do Juízo final." O vendedor faz direito seu trabalho: "O preço de banca é R$ 1,50, mas estamos vendendo a R$ 1. Vai aí, meu senhor?"

FONTE : YAHOO NOTICIAS/Por Juliano Costa, Redação Yahoo! Brasil .

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