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IGREJA DE 1847 EM SEABRA (BA) PODE INTEGRAR ROTEIRO DE TURÍSMO CULTURAL DA CHAPADA.

Segundo a coordenadora de educação patrimonial do Ipac, Ednalva Queiroz, a região tem muita importância, “diante do cenário de lutas territoriais do coronelismo entre os séculos 19 e 20, por ter sido matriz da sede de Seabra, e ainda pelo acervo de imaginária barroca de qualidade”.

Datada de 1847, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, localizada no coração da Bahia – centro geográfico do estado –, no município de Seabra, a 458 quilômetros de Salvador, pode se tornar um dos principais pontos de visitação para o roteiro de turismo cultural a ser implantado na Chapada Diamantina. Em reconhecimento à importância dessa igreja, a comunidade local se mobiliza para a inserção do monumento histórico no roteiro de turismo cultural que está sendo construído pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), da Secretaria Estadual de Cultura (Secult), em parceria com o Departamento de Antropologia da Universidade Federal da Bahia (Ufba). O templo é um dos mais antigos da região e as festividades religiosas que nele acontecem fazem parte do calendário devocional dos moradores locais.

Localizada no Povoado de Campestre, primeira sede do município, a igreja serviu de refúgio para as tropas do coronel Manuel Fabrício de Oliveira contra o cerco realizado por outro conhecido coronel da região, Horácio de Mattos. Nas paredes desse templo católico do século 19 ainda podem ser vistas as marcas de balas que lembram esse episódio. A localidade também foi passagem da famosa Coluna Prestes, movimento político-militar brasileiro ligado ao ‘tenentismo’ ocorrido entre 1925 e 1927. A Coluna Prestes foi caracterizada por insatisfações com a República Velha, exigência do voto secreto, defesa do ensino público e obrigatoriedade do ensino primário. A igreja também tem importância arquitetônica. Sua fachada principal é flanqueada por cunhais e possui três portas com mesmo número de janelas e arco abatido. A frente da construção tem escadaria de pedra encimada por um frontão ladeado por dois coruchéus, que são os arremates pontiagudos que ficam na parte de cima das torres ou campanários. Os beirais dos telhados terminam sobre cornijas, que servem para ocultar os telhados e impedir que as águas escorram pelas paredes, conhecidas também como cimalhas ou corônides.

Vila Campestre :

Apesar do antigo apogeu, a Vila de Campestre possui hoje uma população estimada em apenas 50 famílias, totalizando cerca de 200 pessoas. Elas se dedicam à produção de banana e café. O acesso a Campestre é feito através de estrada de barro, distante 12 quilômetros de Seabra. Diversas casas possuem portas e janelas em madeira, indicando arquitetura típica do final do século 18 e início do século 19. Levantamento dos patrimônios culturais do município está sendo feito por técnicos do Ipac para identificar bens de valor histórico, cultural, arquitetônico e ambiental a serem preservados.

Segundo a coordenadora de educação patrimonial do Ipac, Ednalva Queiroz, que promoveu cursos no município, a região tem muita importância, “diante do cenário de lutas territoriais do coronelismo entre os séculos 19 e 20, por ter sido matriz da sede de Seabra, e ainda pelo acervo de imaginária barroca de qualidade”.Internamente, a igreja tem piso em lajota de barro, passadeiras em pedra na parte central da nave e capela. Destacam-se imagens de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora do Rosário e Senhor Morto em madeira policromada. O roteiro cultural integrará o projeto Circuitos Arqueológicos, do Ipac/Ufba. Desde 2008, o Ipac realiza pesquisas e mapeamento do acervo arqueológico-cultural da região para criar esses circuitos, que devem ser visitados por turistas.

FONTE : ASCOM BAHIA .
FOTO : ASCOM/SECULT .

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