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JACOBINA MINERAÇÃO E COMÉRCIO: QUEM SERÁ A PRÓXIMA VÍTIMA ?


  • Conforme informações divulgadas pela imprensa, a procuradora Vanessa Gil Rodrigues, do Ministério Público do Trabalho (MPT), está investigando a Jacobina Mineração e Comércio, empresa canadense controlada pela Yamana Gold Inc., desde 2008, e de lá para cá foram identificadas uma série de irregularidades relativas ao meio ambiente e a forma de trabalho. Os técnicos do MPT constataram que os trabalhadores são expostos claramente a acidentes e a danos à saúde. As investigações levaram ao ajuizamento de uma ação civil pública. Mesmo tendo mais de 4 décadas de exploração, esta é a primeira vez que se tem notícia de manifestação de uma instituição responsável em dar proteção aos direitos do cidadão diante de ilegalidades praticadas na seara trabalhista . 
     
    Não bastassem as dezenas de mortes atribuídas à silicose, doença adquirida durante as atividades subterrâneas nas áreas de explorações de ouro da Jacobina Mineração e Comércio (JMC), acidentes ocorridos dentro de galerias têm tirado a vida de trabalhadores nos últimos anos. Pouco mais de dois anos da última morte, mais dois trabalhadores são vitimados fatalmente. No dia 11 de outubro de 2010, o operário Gustavo Ferreira dos Santos (33 anos), faleceu vítima de um esmagamento por uma correia transportadora quando trabalhava na britagem da metalurgia. No último dia 6 de março, os mineiros Juarez Alves Pereira (35) e José Jackson Dantas (32), morreram soterrados depois que o teto da galeria de número 315 da mina desabou durante um desplacamento de rocha, quando uma das pedras que sustentam a mina subterrânea saiu do lugar. Logo após o trágico acidente que matou os dois operários o MPT na Bahia pediu que a Justiça do Trabalho concedesse liminar para obrigar a Jacobina Mineração a adotar imediatamente procedimentos que garantam a segurança e a saúde dos trabalhadores. Foi solicitada uma indenização de 4 milhões de reais, por danos morais coletivos à sociedade. Nenhum valor, por maior que ele seja, trará de volta a vida das dezenas de verdadeiros guerreiros, que em busca da própria sobrevivência e de suas famílias, foram vitimados por acidentes de trabalho ou acometidos de doenças ocupacionais. 
     
    Em sua página na internet (http://www.yamana.com/), a empresa destaca claramente o seu real e principal objetivo, explorar e expandir suas áreas de ‘produtividade’. O que chama a atenção é que nenhuma ação por parte dos poderes Executivo e Legislativo do município foi anunciada após as últimas mortes ocorridas na JMC. A ausência de uma manifestação pública desses poderes dá espaço para a discussão a respeito do nível da relação com a empresa. Falta de atitude concreta, ou simplesmente conivência? Vale a pena ver - Em artigo publicado em uma das edições da revista Com Ciência Ambiental – publicação paulista de circulação nacional, voltada para assuntos ambientais – a história da exploração do ouro em Jacobina é destaque (veja em: HTTP://www.revista.com.br/2012/05/responsabilidade-socioambiental.html). Mas em saber que os fatos estão sendo investigados e providências estão sendo tomadas por instituições fiscalizadoras já acalentam os que clamam por justiça .
     
    Em depoimento emocionante, o ex-funcionário da Yamana Gold, Amauri Morais, se diz perseguido por ter denunciado a empresa por crimes ambientais e de direitos trabalhistas. No conteúdo de mensagens postadas na internet (veja em: http://www.ichunoticias.com/2013/03/ex-funcionario-da-jacobina-mineracao-e_22.html) e encaminhadas por email, Amauri diz, “Socorro! Ajudem-me! Por favor! A silicose, doença pulmonar fibrótica crônica, progressiva, irreversível e incurável, é de origem tipicamente ocupacional causada pela inalação da poeira da sílica (partículas cristalinas do dióxido de silício) .

    Gervásio Lima – Jacobinense, jornalista e historiador, colaborador do Blog Xiquesampa .
     
    FONTE: XIQUESAMPA .

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