[NEWS][6]

r
v
xique-xique

BLOG XIQUE-XIQUE:SEMANA SANTA EM XIQUE-XIQUE (BA),POR JUAREZ CHAVES .

Os “penitentes”, homens que se auto-flagelam durante a Quaresma, existem desde muito tempo nas cidades ribeirinhas do Rio São Francisco, mas parece que Xique-Xique (BA) foi uma das cidades onde mais ocorreu essa prática .

Provavelmente desde o final do sec. XIX, durante a Quaresma e principalmente na Semana Santa, acontecia na cidade um evento que, apesar de se repetir todos os anos, deixava a comunidade local com grande expectativa e curiosidade. Eram as “lamentações”, ritual característico da idade média, realizadas perto da meia-noite, que tinham como principais protagonistas os “penitentes”, representados por pessoas do povo, pescadores e agricultores que, durante a Quaresma e, com mais intensidade, durante a Semana Santa submetiam-se a uma auto-flagelação como sacrifício pelo perdão dos pecados e certeza do ganho da felicidade no céu. A auto-flagelação a que se submetiam os "penitentes" era precedida pelas "lamentações", grupos formados principalmente por mulheres que à noite e em grupos, dirigiam-se para o cemitério e lá chegando iniciavam um rito que tinha como objetivo salvar as almas do purgatório.

Entoavam lúgubres cantos sacros que ecoavam pela silenciosa noite Xiquexiquense e eram ouvidos em quase toda a pequena cidade. Entre essas cantigas, tinha uma que sempre estava presente em todas as "lamentações" e assim dizia: "Senhor meu Deus, tenha piedade de mim" ; "Senhor meu Deus, pequei Senhor, tenha piedade de mim"; "Senhor meu Deus, pequei Senhor mas pelo sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo tenha piedade de mim". Antes de iniciarem a auto-flagelação açoitavam as costas com galhos de faveleira, uma planta abundante e nativa no Município que tem nos espinhos das folhas um substância tóxica que ao atingir a pele e causar intensa dor, a torna relativamente insensível e anestesiada. Durante a flagelação, entoam cânticos religiosos e rezam pelos mortos, principalmente as almas do purgatório, por assim entenderem que as faltas graves, suas e dos que já morreram, serão perdoadas após o sacrifício.

Com a dispersão os “penitentes” se dirigiam à beira do Rio São Francisco para se banharem e dar um trato inicial aos cortes colocando água de sal e outros remédios caseiros para evitar maiores problemas. As “lamentações” e principalmente os rituais dos “penitentes” nunca foram pacificamente aceitas pelas autoridades Xiquexiquenses. Era comum, durante a Quaresma, a perseguição dos adeptos por parte da polícia que os escorraçavam para bem longe do perímetro da cidade e houve épocas em que os “penitentes” tiveram que se “cortar” no interior da caatinga a alguns quilômetros da sede do Município, para não perderem a continuidade da promessa dos 7 anos.

A Igreja católica, a depender do Pároco, adotava atitudes diversas, ora radicalmente contra ora fazendo vistas grossa. Assim, em Xique-Xique, houve momentos em que era permitida a permanência dos penitentes na porta da Matriz do Senhor do Bonfim e outros em que nem na frente do templo poderiam passar. O Padre José de Oliveira Bastos (Padre Bastos), foi um dos mais liberais chegando, inclusive a permitir a visitação dos penitentes durante a vigília do Senhor Morto.

OBS. A fotógrafia que ilustra esta matéria é dos "penitentes" de Xique-Xique durante um exercício de auto-flagelação. Confira à Matéria completa no Blog Xique-Xique .

FONTE : BLOG XIQUE-XIQUE DE JUAREZ CHAVES .
ACESSE: http://www.xiquexiquense.blogspot.com/

Jornal Centro Oeste Bahia '

O oeste da Bahia se encontra aqui!

4 comentários

  1. Parabéns ao XiqueSampa por reproduzir a matéria. Ainda ontem, 21, um canal de televisão aqui de Salvador mostrou uma matéria sobre os penitentes de Juazeiro. Dizia a reportagem que o gerente-geral do IPAC estava em Juazeiro observando a lamentação e analisando a possibilidade de tombá-la como patrimônio imaterial da Bahia. Ontem mesmo, enviei um email ao gerente do IPAC, em que fi-lo saber que na nossa cidade também acontece o ritual da lamentação e convidei-o a ir, ano que vem, a Xique-Xique,para assistir ao ritual. Abre-se aqui um parêntese: meu pai - João Clemente da Costa, Nozinho - foi penitente por muitos anos.
    Parabéns às guerreiras e guerreiros abnegadas e abnegados que fazem a "lamentação".
    Nizaldo Costa

    ResponderExcluir
  2. JUSCELINO, IGUIRA,XIQUEXIQUE BA .23/04/2011 09:08

    Hum ja tomei umas duas Navalhadas nas Costas,tambem passei por eles e ainda fiquei os encarando, tomei uma na perna kkk. Num pode ficar olhando de perto,num sabia .

    ResponderExcluir
  3. Qd eu era criança acompanhei mt procissão com velas, onde os penitentes passavam...me lembro que minha mão avisava pra gente não olhar pra eles, pois era proibido...eu morria de medo de levar uma chicotada...rss

    ResponderExcluir
  4. Eu morei em Xique-Xique qd criança, por volta de 70 a 75, olhando suas fotos, vi uma de uma casinha na fazenda carnaúba...minha bisa morava na fazenda carnaúba nessa época, Dona amália, ela era paralílica e cega, sua irmã, tia Nercina, era professora da escolinha da fazenda, passei muitas férias nessa fazenda...brincando no riacho que tinha e andando de jegue...rss

    ResponderExcluir

ATENÇÃO!!! Tenha responsabilidade em seus comentários, não nos responsabilizamos por conteúdos impróprios .

Start typing and press Enter to search